Exercício de permanência
2026
Madeira, aço e metal
88 X 12 X 3cm
É uma série composta por bengalas antigas, objetos atravessados pelo tempo, pelo uso e pelafunção de apoio. Elas carregam a memória do gesto repetido, do corpo que nelas se sustentou,do deslocamento lento e insistente que acompanha a experiência de viver.Desconstruídas de sua forma original, as bengalas perdem a funcionalidade imediata e passama operar como vestígios. Fragmentadas e reorganizadas, deixam de servir ao corpo, maspermanecem como presença: a forma insiste, a materialidade resiste, o objeto continua ali,mesmo quando já não cumpre aquilo para o qual foi criado.A obra aproxima esse estado do exercício de permanência que atravessa a vida cotidiana — oesforço contínuo de seguir, adaptar-se, manter-se em pé apesar das falhas, dos desvios e dodesgaste imposto pelo tempo. Assim como essas bengalas, também os corpos e as existênciasaprendem a permanecer mesmo quando os apoios já não são os mesmos.Cada peça da série se apresenta como um ensaio singular, onde a permanência não se afirmacomo estabilidade, mas como prática diária, silenciosa e insistente. Um exercício que nãogarante sustentação, mas afirma a continuidade.


Procuro ser árvore (I e II)
2023
Objeto | Object
Madeira, vidro e elementos naturais
Trabalho único | Single job
23 x 25cm e 17 x 19cm
Uma fôrma de sapato de adulto e outra de criança, ambas carregam em si um pedacinho da árvore. A fôrma maior aqui representa os pais que carregam em si a sementinha da consciência ambiental e o respeito pela natureza, e através da educação dos seus filhos transmite esta semente. E assim se passa a consciência ambiental de forma ampla, passando de pai para filho e assim por diante.
A importância e a exuberância da natureza são inigualáveis. Me alimento da natureza para materializar meus projetos. Observo o homem para questionar e trazer à tona reflexões sobre sua relação e seu comportamento diante da natureza.

2023 Objeto | Object Madeira, vidro e elementos naturais Trabalho único | Single job 23 x 25cm e 17 x 19cm

2023 Objeto | Object Madeira, vidro e elementos naturais Trabalho único | Single job 23 x 25cm e 17 x 19cm
Guardei o bonito só para mim
2023
Objeto | Object
Vidro e elementos naturais
Trabalho único | Single job
30 cm diâmetro | 30 cm in diameter

2023 Objeto | Object Vidro e elementos naturais Trabalho único | Single job 30 cm diâmetro | 30 cm in diameter

2023 Objeto | Object Vidro e elementos naturais Trabalho único | Single job 30 cm diâmetro | 30 cm in diameter
A importância e a exuberância de uma floresta tropical são inigualáveis. Me alimento da natureza para materializar meus projetos. Observo o homem para questionar e trazer à tona reflexões sobre sua relação e seu comportamento diante da natureza.
Uma esfera de vidro guarda elementos orgânicos, secos que a natureza já os utilizou. São pinhas, vagens, flores, ramos que um dia já cresceram ali suas sementes. Agora formam um lindo desenho natural.
São elementos orgânicos que foram cuidadosamente desidratados, tratados e disponibilizados um ao lado do outro, dentro de uma esfera de vidro. Para serem observados, talvez um dia quando estas árvores não existirem mais.
Esperam, por aquele que vive| Wait, for the one who lives
2023
Objeto | Object
Vidro, sementes e madeira imbuia | Glass, seeds and imbuia wood
Trabalho único | Single job
30 cm diâmetro | 30 cm in diameter

2023 Objeto | Object Vidro, sementes e madeira imbuia Glass, seeds and imbuia wood Trabalho único | Single job 30 cm diâmetro | 30 cm in diameter

2023 Objeto | Object Vidro, sementes e madeira imbuia Glass, seeds and imbuia wood Trabalho único | Single job 30 cm diâmetro | 30 cm in diameter
A importância e a exuberância de uma floresta tropical são inigualáveis. Me alimento da natureza para materializar meus projetos. Observo o homem para questionar e trazer à tona reflexões sobre sua relação e seu comportamento diante da natureza.
Sementes dos 3 biomas brasileiros estão presentes neste trabalho, Amazonas, Cerrado e Mata Atlântica, assim como algumas espécies que foram introduzidas nas nossas matas. É uma espécie de “arca de Noé” da floresta. Cada semente, castanha ou vagem, foi introduzida em uma bola de vidro separadamente, e depois todas dispostas dentro de uma outra esfera maior, que as abriga, as protege e ao mesmo tempo as torna acessível ao surgimento de uma nova floresta, com apenas um toque. Como um tesouro
guardado para o futuro.
The importance and exuberance of a tropical forest are unparalleled. I feed on nature to materialize my projects. I observe man to question and bring to light reflections on his relationship and behavior towards nature.
Seeds from the 3 Brazilian biomes are present in this work, Amazon, Cerrado and Atlantic Forest, as well as some species that were introduced into our forests. It’s a kind of “Noah’s ark” of the forest. Each seed, nut or pod, was introduced into a glass ball separately, and then all arranged inside another larger sphere, which shelters them, protects them and at the same time makes them accessible to the emergence of a new forest, with just one touch. Like a treasure saved for the future.
Equilíbrio| Balance
2021
Objetos | Objects
Madeira (Pau-Brasil) e pedra | Wood Pau-Brasil and stone
20 cm x 17 cm

2021 Objetos | Objects Madeira (Pau-Brasil) e pedra | Wood Pau-Brasil and stone 20 cm x 17 cm

2021 Objetos | Objects Madeira (Pau-Brasil) e pedra | Wood Pau-Brasil and stone 20 cm x 17 cm

2021 Objetos | Objects Madeira (Pau-Brasil) e pedra | Wood Pau-Brasil and stone 20 cm x 17 cm

2021 Objetos | Objects Madeira (Pau-Brasil) e pedra | Wood Pau-Brasil and stone 20 cm x 17 cm
Além de observar a natureza eu tenho o hábito de coletar pequenas amostras que encontro e guarda-las, são meus tesouros.
Em caminhadas, viagens, ou no meu dia-a-dia, sempre observo e quando posso me aproprio, são pedras, sementes, flores, galhos, conchas, folhas, areia, água, terra......
As sementes, galhos, folhas e flores .... gosto de acompanhar o processo e sua mutação de formas e cores. Quando sei que alguém bem próximo está em um lugar onde eu nunca estive, peço sempre para me trazer uma pedra deste lugar.
Assim formo um relicário de tesouros.
É a minha fonte de inspiração.
É o meu banco de dados.
Me aproprio deste material para viabilizar os projetos, sequenciando pedras vindas de lugares distintos ora acomodadas, lado a lado ou no centro em berço de madeira maciça. As madeiras são tocos encontrados ou pedaços que foram descartados de móveis antigos, batentes de portas, postes de iluminação ou dormentes de trilhos de trem. Tudo é reaproveitado. Em formas orgânicas, como sementes, elas guardam no seu interior as joias que a natureza nos presenteia.
Neste trabalho intitulado “Equilíbrio“ esculpida em pau brasil a esfera que nos remete ao planeta terra guarda em seu interior um pedacinho dos dois maiores desertos do planeta, o Saara e a Antártica. O quente e o frio, o seco e úmido, o equilíbrio.
In addition to observing nature, I use to collect small samples of what I find on the way and keep them, they are my treasures.
On walks, travels, or in my daily life, I always observe and when I can I take them with me, they are stones, seeds, flowers, branches, shells, leaves, sand, water, earth......
The seeds, branches, leaves and flowers …. I like to follow the process of its mutation of shapes and colors. When I know someone very close to me is in a place I've never been, I always ask them to bring me a stone from this place.
Thus I build a shrine of treasures.
It's my source of inspiration.
It's my database.
I take with me this material to make the projects viable, sequencing stones coming from different places now accommodated, side by side or in the center in a solid wood cradle. The timber comes from stumps found anywhere or discarded pieces of old furniture, door frames, lamp posts, or railroad ties. Everything is reused. In organic forms, just like seeds, they keep inside the jewels that nature gives us.
In this work entitled “Balance“, carved in brazilwood (pau brasil), the sphere that reminds us of the planet earth holds in its interior a small piece of the two largest deserts on the planet, the Sahara and Antarctica. Hot and cold, dry and wet, the balance.
Amazonas | Amazonas
2021
Objetos | Objects
Cumaru, vidro e água | Wood Cumaru, glass and water
31cm x 21cm x 21cm

2021 Objetos | Objects Cumaru, vidro e água | Wood Cumaru, glass and water 31cm x 21cm x 21cm

2021 Objetos | Objects Cumaru, vidro e água | Wood Cumaru, glass and water 31cm x 21cm x 21cm

2021 Objetos | Objects Cumaru, vidro e água | Wood Cumaru, glass and water 31cm x 21cm x 21cm

2021 Objetos | Objects Cumaru, vidro e água | Wood Cumaru, glass and water 31cm x 21cm x 21cm
“O rio Amazonas, localizado na América do Sul é o maior rio em volume de água do mundo e o segundo maior em extensão territorial. Com 6.992,06 quilômetros, percorre o
norte da América do sul, a floresta Amazônica e desagua no Oceano Atlântico. Possui mais de mil afluentes, sendo que alguns deles, como o Madeira, o Negro e o Japurá, estão entre os 10 maiores rios do planeta.
A água que flui pelos rios amazônicos equivale a 20% da água doce líquida da Terra. O Amazonas tem sua origem na nascente do rio Apurímac (alto da parte ocidental da cordilheira dos Andes), no sul do Peru, e deságua no Oceano Atlântico junto ao rio Tocantins no delta do Amazonas, norte brasileiro. Ao longo de seu percurso recebe, ainda
no Peru, os nomes de Carhuasanta, Lloqueta, Apurímac, rio Ene, rio Tambo, Ucayali e Amazonas. Ele entra no território brasileiro com o nome de rio Solimões e finalmente em Manaus, após a junção com o rio Negro, assim que suas águas se misturam ele recebe o nome de Amazonas e como tal segue até a sua foz no oceano Atlântico.
A área coberta por água no rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante as estações do ano. Em média, na estação seca, 110.000 km² estão submersos, enquanto que na estação das chuvas essa área chega a ser de 350.000 km². No seu ponto mais largo atinge na época seca 11 km de largura, que se transformam em 50 km durante as chuvas. Suas águas são barrentas e frias, alcançando a profundidade de 100 m. Por ser um rio de planície, é navegável em toda sua extensão.” (Wikipédia)
Estar presente no local onde as águas se encontram e dali surge o maior rio do mundo, foi uma experiência emocionante e sem igual. Quando lá estive, trouxe comigo um pouquinho de água de cada um dos rios, Negro e Solimões, e só depois e alguns anos consegui retratar esta imagem através de uma escultura. Utilizei a madeira Cumaru, como berço para envolver duas gotas, feitas a sopro, de vidro contendo cada uma delas, as águas do Negro e do Solimões. A importância e a exuberância do rio Amazonas são inigualáveis. Me alimento da natureza para materializar meus projetos. Observo o homem para questionar e trazer a tona reflexões sobre seu comportamento diante da natureza. A representação do Rio Amazonas se faz em um leito de madeira nativa da região, a espécie conhecida como Cumaru, nela foi esculpida em forma ovalada, cortada ao meio, onde são encaixadas duas gotas de vidro contendo água dos rios Negro e Solimões, os quais são independentes, mas se tocam em um ponto, remetendo assim a união destes dois rios que forma o grandioso Rio Amazonas. A obra quando fechada tem a forma de um casulo que abriga algo muito importante no seu interior, e quando aberta tem um duplo significado, parte viva com as gotas de água e parte seca apenas com a silhueta da água. Nos levando assim a reflexão sobre o futuro da Amazônia como um todo.
“The Amazon River, located in South America, is the largest river in terms of water volume in the world and the second largest in terms of land area. With 6,992.06 kilometers, it runs through the north of South America, the Amazon forest and flows into the Atlantic Ocean. It has more than a thousand tributaries, some of which, such as the Madeira, Negro and Japurá, are among the 10 largest rivers on the planet.
The water that flows through Amazonian rivers is equivalent to 20% of the Earth liquid fresh water.
The Amazon originates from the source of the Apurímac river (upper western part of the Andes mountain range), in southern Peru, and flows into the Atlantic Ocean along the Tocantins river in the delta of the Amazon, in northern Brazil. Along its route, it receives the names of Carhuasanta, Lloqueta, Apurímac, River Ene, River Tambo, Ucayali and Amazonas, even in Peru. It enters Brazilian territory with the name of Rio Solimões and finally in Manaus, after the junction with the Rio Negro, as soon as its waters mix it receives the name of Amazon and as such follows until its mouth in the Atlantic Ocean.
The area covered by water in the Amazon River and its tributaries more than triples during the seasons. On average, in the dry season, 110,000 km² are submerged, while in the rainy season this area reaches 350,000 km². At its widest point, it reaches 11 km in width during the dry season, which becomes 50 km during the rains. Its waters are muddy and cold, reaching a depth of 100 m. As it is a plain river, it is navigable in its entirety.” (Wikipedia)
Being present at the place where the waters meet and the largest river in the world rises from there, it was an exciting and unique experience. When I was there, I brought with me a little water from each of the rivers, Negro and Solimões, and only after a few years I managed to portray this image through a sculpture. I used Cumaru wood as a cradle to envelop two blown glass drops containing each of the Negro and Solimões waters. The importance and exuberance of the Amazon River are unparalleled. I feed on nature to materialize my projects. I observe man to question and bring up reflections on his behavior in relation to nature.
The representation of the Amazon River is made in a bed made of a native timber species from the region, the Cumaru. It was carved in an oval shape, cut in half, where two drops of glass containing water from the Negro and Solimões rivers, which are independent but touch each other at one point, thus referring to the union of these wo rivers that form the magnificent Amazon River. When closed, the work takes the form of a cocoon that houses something very important inside. When opened, it has a double meaning: partly alive with the drops of water and partly dry with just the silhouette of the water. Thus leading us to reflect on the future of the Amazon as a whole.
Fiz daqui o meu lugar | I made here my place
2016 / 2021
Objetos | Objects
Madeira e pedras | Wood and stones
35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)
Fotos/photos: Flavio Lamenha

2021 Objetos | Objects Madeira e pedras | Wood and stones 35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)

2017 Escultura (madeira, pedras) Garapeira 30 x 10 x 10 cm

2017 Escultura (madeira, pedras) Imbuia 30 x 10 x 10 cm

2017 Escultura (madeira, pedras) Dormente 30 x 10 x 10 cm

2021 Objetos | Objects Madeira e pedras | Wood and stones 35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)

2021 Objetos | Objects Madeira e pedras | Wood and stones 35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)

2021 Objetos | Objects Madeira e pedras | Wood and stones 35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)

2021 Objetos | Objects Madeira e pedras | Wood and stones 35 cm x 11 cm x 10 cm (cada peça)
As pedras tem memória
As pedras guardam a temperatura
A pedra é tátil
Sempre as tenho comigo, onde quer que eu vá, por menor que seja, são sempre a companhia da viagem.
Elas migram
Passam a viver em outro lugar, não se alteram, continuam pedras.
Não incomodam, apenas ouvem.
São várias
Tamanhos, formatos e cores diversas
Reuni todas
Elas vieram de longe, do outro lado do mar
Agora são um grupo
Uma família?
Uma entidade?
Não sei
Mas fiz uma casa para elas
Stones have memory
Stones keep the temperature
The stone is tactile
I always have them with me, wherever I go, small as they may be, they are always the travel companion.
They migrate
They go live somewhere else, do not change, they keep on being stones.
They do not harass, they only listen.
They are several
Diverse sizes, shapes and colors
I have reunited them all
They have come from far away, from the other side of the sea
Now they are a group
A family?
An entity?
I don’t know
But I have built them a house
Precisou ser outros | He had to be others
2017
Objeto
(madeira e ferro)
20 cm x 16,5 cm x 15 cm
85 cm (suporte /alça)
Fotos/photos: Flavio Lamenha

2017 Objeto (madeira e ferro) 20 cm x 16,5 cm x 15 cm 85 cm (suporte /alça)

2017 Objeto (madeira e ferro) 20 cm x 16,5 cm x 15 cm 85 cm (suporte /alça)
Na chegada do navio Caffaro em 1891, vinham centenas de imigrantes provenientes da Itália. Entre eles um casal com cinco filhos, sendo o caçula com 4 anos de idade.
Dias e dias se passaram até chegar ao mundo novo.
Para trás ficou a miséria e uma Itália pobre repleta de dificuldades.
Com eles o sentimento de mudança e esperança de uma vida melhor.
Na bagagem, além da coragem para se aventurar e enfrentar um país desconhecido, em desenvolvimento e que falava outra língua, Giacomo trouxe também seu baú de ferramentas.
Ele era um entalhador, um artesão conceituado na sua cidade de origem. Vinha com a promessa de trabalho numa importante fábrica de móveis exclusivos da imponente Rua Augusta em São Paulo.
Seu sonho de melhorar de vida e ter seu trabalho reconhecido fez com que ele abandonasse tudo, e na companhia de sua esposa, ambos na meia idade, mais cinco filhos embarcaram no vapor que atravessaria o atlântico. Giacomo 57, Angela Rugene 45, Elisa 16, Antonio 14, Luigi 12, Riccardo 7 e Gerolamo 4.
No porto de Santos no dia 29 de junho de 1891 desembarca centenas de imigrantes que seguiriam para o interior de São Paulo para trabalhar em fazendas na colheita do café, mas Giacomo teria um destino diferente seguiria para a capital do Estado, pois ele era um artesão e seu trabalho estaria garantido se não fosse a infeliz surpresa.
Ao desembarcar em Santos, se deu conta que seu precioso baú com ferramentas especiais havia desaparecido juntamente com toda sua bagagem.
Sem ferramentas, sem documentos e sem bagagem, Giacomo e sua família não tiveram outra opção senão seguir juntamente com os outros imigrantes, cujo destino seria as fazendas de café........
Hundreds of Italian immigrants came on the ship Caffaro, which arrived in 1891. Among them a couple with five children, their youngest was 4 years old.
Days and day went by until their arrival on the new world.
They left behind misery and a poor Italy, burdened with difficulties.
With them, the feeling of change and the hope of a better life.
On their luggage, besides the courage to face an unknown, underdeveloped country and a different language, Giacomo brought also his toolbox.
He was a wood carver, a well-known artisan at his home town. He had been offered a job at an important furniture factory at the imposing Rua Augusta, in São Paulo.
His dreams to pursue a better life and to be recognized for his work made him leave everything behind, and together with his wife - both middle-aged - and five children, boarded the steam ship that would cross the Atlantic. Giacomo 57, Angela Rugene 45, Elisa 16, Antonio 14, Luigi 12, Riccardo 7 and Gerolamo 4.
On the harbor of Santos, on June 29th 1981, came ashore hundreds of immigrants who would continue their journey towards the countryside of São Paulo, where they would work on coffee farms. Giacomo, however, would have a different destination: being an artisan with a guaranteed job, he would go to the state capital, if it wasn’t for an unfortunate surprise.
Soon as he arrived in Santos, he realised that his precious toolbox with specific tools had disappeared, together with all his luggage.
Without tools, documents or luggage, Giacomo and his family had no choice but to join the other immigrants, whose destination was the coffee farms...
Angella Conte
2016
Terra Nua | Naked Land
2017
Objeto
(madeira, vidro, papel e porcelana)
29 cm x 34 cm x 10 cm

Não sabemos quantos dias demorou, se estava frio, se tinha fome, se foi caminhando ou na boleia de uma carroça. Só sabemos que em alto mar uma menina de 16 anos foi descoberta escondida no porão do navio, que provavelmente saiu de Figueira da Foz ou de Lisboa a caminho do Brasil.
Estava clandestina, sua bagagem se resumia em um único objeto, um realejo. Para pagar sua viagem, passou a trabalhar como camareira no navio até o destino. Provavelmente a viagem demorou meses. Quantas coisas aconteceram? Quantos medos e dores sentiu aquela jovem que num ato de coragem deixou para trás sua família, sua tradição, trocando o conhecido pelo longínquo desconhecido?
Analfabeta, sem dinheiro e sem bagagem.
Tudo se supõe, apenas palpável são datas encontradas em documentos de casamento, óbito e mais recentemente de nascimento encontrado nos livros de registro de batismo na paróquia de Reguengo do Fetal, em Portugal.
O que teria acontecido? Porque aquela jovem abandonou tudo, se escondendo no navio que partiria para o outro lado do oceano?
Que força é esta que move determinadas pessoas a se atirarem no desconhecido?
Não sei. Talvez passe a vida toda sem saber.
Já no Brasil, onze anos depois, aos 27 anos de idade, esta jovem se casa com um imigrante italiano, Jerônimo. Desta união nasceram seis filhos. Trabalharam duro, dia e noite. Sua família, somente o marido e filhos.
Não se sabe se ela tinha irmãos, se tinha pai e mãe. Chegou sozinha. Não se sabe se alguma notícia recebeu. Não se sabe se a saudade lhe doía ou se a fortalecia. O que se sabe é que era uma alma dura.
Nas lembranças não tem sorrisos, não tem carinho.
E na altura da metade da vida, conduzia com rigor e bravura seu imponente hotel de localização privilegiada, em frente à estação ferroviária na próspera Jaboticabal.
Anos se passaram.
Ficou viúva.
Se esqueceu de tudo.
Morava com a nora e o filho no interior de São Paulo.
Numa tarde ensolarada, saiu de casa sozinha, passou no mercado municipal e comprou algumas sardinhas. Se sentou na charrete de aluguel da praça e pediu ao condutor que a levasse a Reguengo do Fetal, pois queria se encontrar com o Manoel...
We do not know how long it took her, if it was cold, if she was hungry, if she walked or if she went on the back of a horse cart. All we know is that, on a ship’s hold on high seas, was found a 16 year old girl, who left probably Figueira da Foz or Lisboa and was now going to Brazil.
She was there clandestinely, and her luggage was a single object: a realejo. To pay for her travel, she started working as a maid on the ship until the destination. The journey probably took months. How many things might have happened? How many fears and pains have felt that young lady who, in an act of courage, left her family and her tradition behind, exchanging the known for a distant unknown?
Illiterate, no money and no luggage.
Everything is conjectured, the only real evidences are dates on wedding, death and birth documents, found in baptism registry books at the church of Reguengo do Fetal, Portugal.
What would have happened? Why did that young lady abandon everything and hid on a ship that would cross the ocean?
What is this power that moves certain people to throw themselves into the unknown?
I don’t know. Maybe I will never know.
In Brazil, eleven years later, at 27 years old, this young lady marries an Italian immigrant, Jerônimo. They had six children. They worked hard, day and night. Her family was only her husband and their children. It is unknown whether she had siblings, or who were her parents. She arrived alone. We don’t know if she ever heard any news. Neither if the nostalgia hurt or strengthened her. What is known is that she was a tough soul.
On her memories there are no smiles, no kindness.
When half of her life had passed by, she was managing with rigor and bravery her imposing hotel on a privileged location, in front of the train station on the prosperous city of Jaboticabal.
Years went by.
She became a widow.
She forgot everything.
She was living with her daughter-in-law and her son in the countryside of São Paulo.
On a sunny afternoon, she left home alone, stopped by the city market and bought a few sardines. She boarded a horse wagon on the city square and asked the driver to take her to Reguengo do Fetal, because she wanted to meet with Manoel...
Angella Conte
2016
De tudo fica um pouco | Everything gets a little
2016
Escultura
Madeira e ferro | Wood and iron
Medidas aproximadas | Varied dimension
20 x 20 cm
Conjunto de cinco objetos esculpidos em madeira.
Estes objetos criam novas formas quando são inseridas antigas ferramentas de uso divers
Set of five objects carved in wood.
These objects create new shapes when old tools of diverse use are inserted.
Fotos/photos: Flavio Lamenha





Provisão e Eu, Horizonte | Provision and I, Horizont
2008
Back Light
Janela de madeira, acrílico e fotografia
wood window, acrilyc and photography102 x 50 x 12 cm

Cara metade | Half face
2008
Madeira, vidro, metal, papel, tecido e espelho
Wood, glass, metal, paper, tissue and mirror
30x121x38cm

Cara metade | Half face
2008
Madeira, vidro, metal, papel, tecido e espelho
Wood, glass, metal, paper, tissue and mirror
30x121x38cm

Solidão | Loneliness
2008
Madeira e Cobre
Wood and copper
25x44x25

Solidão | Loneliness
2008
Madeira e Cobre
Wood and copper
25x44x25

Outside Inside
2007
Madeira, vidro, metal e tecido
Wood, glass, metal and tissue
66 cm x 46 cm x 8 cm

Dorothee
2007
Madeira, vidro e metal
Wood, glass and metal
63 cm x 37 cm x 13 cm

In Memorian
2007
Madeira, vidro, papel, plástico, metal
Wood, glass, paper, plastic and metal
46x32x12cm

Paz | Peace
2007
Madeira, vidro,tecido, espelho
Wood, Glass, Tissue, Mirror
41 x 12 x 24cm

Subjetividade objetividade | Subjectivity objectivity
2005
Madeira, vidro, espelho e metal
Wood, glass, mirror and metal
19x33x10cm

Procurando | Searching
2005
Colagem | Collage
80x50x6cm

Semideuses | Semigods
2005
Madeira, vidro, metal e espelho
Wood, glass, metal and mirror
19x33x10cm
