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Angella Conte é uma artista que coleciona coisas. Coleciona primeiro com o olhar: um olhar afetuoso sobre os objetos ao seu redor; sobre a cidade e seus respiros, seus entulhos; sobre as pessoas que deixam marcas nos objetos e nas cidades. A artista coleciona, então, na prática: junta coisas, recolhe coisas, fotografa e fotografa e fotografa. Tudo o que reúne ganha, em algum momento, novo status, quando ela devolve ao mundo um apanhado de coisas antes sem importância prenhes de novas significações.
Até 2004, a produção artística de Angella Conte era predominantemente em pedra, mas mesmo ali, antes de aproximar de seu trabalho práticas fotográficas e instalativas, já estava a gênese colecionista e afetuosa de sua poética: cavar e talhar na pedra uma forma era uma primeira maneira de buscar o encontro com o insondável o mundo. Em 2006, esse movimento fica claro quando a artista fotografa pedreiras de extração de mármore e intitula as fotografias com nomes de trabalhadores daquele local.
A partir dessa obra, toda a sua investigação estética passa a ser marcada por um aproveitamento de todas as etapas que constituem o trabalho: um crescente envolvimento com as pessoas, as coisas, as sobras vai determinar a abertura de sua produção para várias linguagens e resultar em séries de obras –e não mais uma ou algumas peças que não deixam nada de fora do processo, nem o som, nem o contexto, nada mesmo, tudo vira matéria prima para a expressão de uma busca inquieta.

 

Juliana Monachesi

São Paulo, março de 2008